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Entrevista com Demétrio de Macedo Pepice
1° colocado no concurso para AFRF 2005
  

Primeiro colocado em 2003 no concurso para inspetor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM/2003), Demétrio de Macedo Pepice repetiu a dose em 2005 ficando em primeiro lugar geral no concurso para auditor-fiscal da Receita Federal (AFRF/2005). Deme, como é mais conhecido, é a fera que a Editora Ferreira traz novamente para você (ele já esteve por aqui na edição número 2 do Guia dos Concursos). Numa entrevista exclusiva, esse fenômeno de 25 anos revela sua técnica de estudo, alguns macetes e um pouco de sua intimidade. Ainda deixa um conselho para quem está iniciando a vida de concurseiro: “por maior que seja um desafio, não há nenhuma barreira que resista à ação da persistência e do tempo”.

 Qual sua data de nascimento e formação?

 12/03/1979. Engenharia mecânica na Escola Politécnica da USP.

Em entrevista ao 2º Guia dos Concursos você disse que pensava em fazer a prova para auditor da Receita Federal. Você acabou fazendo e obtendo o primeiro lugar. Parabéns. Você ficou surpreso, ou o resultado já era esperado?

Fiquei muito surpreso. Como depois do concurso da CVM eu mantive a rotina de estudos, é claro que o meu desempenho nas matérias tradicionais da área fiscal foi se aprimorando cada vez mais, mas mesmo assim não esperava que iria haver tantas mudanças no edital de AFRF. Acho que essas matérias novas surpreenderam quase todos os candidatos. Durante os dois meses que antecederam a prova, meu maior medo era não conseguir cobrir o programa das novas disciplinas, já que eu trabalhava durante o dia e não pude tirar férias para estudar.

Você manteve a mesma técnica de estudos que havia lhe garantido o primeiro lugar na CVM em 2003? Que materiais você usou para o concurso AFRF/2005?

Não. Eu mudei tanto os materiais como também o método de estudo. O concurso da CVM foi organizado pela Fundação Carlos Chagas, que é uma banca que costuma cobrar as disciplinas de uma forma mais superficial. Por isso, naquela época, apenas utilizei livros das matérias de maior peso e dificuldade, como por exemplo Contabilidade Geral. Nas demais disciplinas, usei apostilas de boa qualidade.

Mas para o concurso de AFRF, percebi que além de a banca examinadora cobrar as matérias de maneira mais aprofundada, a concorrência sempre foi muito acirrada, já que esse é o concurso mais tradicional da área fiscal. Por isso usei muitos livros escritos para concursos, sendo que os principais foram os seguintes:

 

Português: Décio Sena e Renato Aquino.
Informática: João Antônio.
Direito Previdenciário: Ivan Kertzmam.
Direito Tributário: João Marcelo Rocha, Marcelo Alexandrino.
Direito Constitucional: Vicente Paulo, Gustavo Barchet.
Direito Administrativo: Marcelo Alexandrino, Gustavo Barchet.
Contabilidade Geral: Ricardo Ferreira e Ed Luiz Ferrari.
Contabilidade Avançada e Análise de Balanços: Ricardo Ferreira.
Comércio Intenacional: Rodrigo Luz.
Economia e Finanças: Paulo Viceconti.

 

Quanto ao método de estudo, acho que fui bastante influenciado por uma entrevista do professor Gustavo Barchet. Ele explicava que tinha sido aprovado em muitos concursos estudando quase que exclusivamente pelas questões de provas anteriores. Eu tentei seguir mais ou menos essa metodologia, fazendo adaptações quando achava necessário.

Numa fase inicial, eu lia os livros procurando entender os fundamentos e os conceitos das disciplinas. Não me preocupava muito em decorar informações e nem em fazer questões de prova, apenas queria entender o mecanismo das matérias. Mas logo após vinha o estudo que eu achava mais importante, que era muito mais decoreba e voltado para "automatizar" o conhecimento: eu deixava os livros de lado e só os consultava quando achava realmente necessário. Pegava todas as provas de concursos anteriores, de todas as bancas examinadoras, além de simulados e outras questões que eu tinha à minha disposição. E além disso separava toda a legislação que eu teria que decorar para a prova da ESAF (Constituição Federal, CTN, Lei n° 8.112, RGPS). E então o trabalho que eu fazia era resolver as questões de prova, procurando comentá-las mentalmente, fundamentando todas as respostas na legislação e consultando os livros apenas quando achava necessário. Eu pegava 20 questões de uma matéria, depois 20 de outra e assim sucessivamente, até rever todas as disciplinas. E depois recomeçava. No total acho que devo ter feito de 1000 a 2000 exercícios de cada matéria com esse método. Acho que esse tipo de estudo decoreba e voltado para exercícios foi essencial para o meu bom desempenho na prova de AFRF.

Em algum momento você duvidou da sua aprovação?

Sim, no momento em que saiu o edital. Parecia impossível aprender tantas matérias novas em tão pouco tempo. Fiquei muito nervoso. Porém, à medida que o tempo foi passando, acho que eu fui ficando mais calmo, porque fui avançando no aprendizado e percebendo que iria conseguir fazer pelo menos a pontuação mínima nas novas disciplinas. Também fiquei bastante apreensivo enquanto estava fazendo a prova de Matemática Financeira e Estatística, porque percebi que não iria conseguir, por falta de tempo, resolver todas as questões. Saí da prova arrasado, achando que tinha sido eliminado em Matemática, justo a matéria em que eu estava mais seguro, por ter formação na área de Exatas.

Pretende parar por aqui, ou sua vida de concurseiro está só começando?

Ainda não decidi, acho que isso dependerá de como irei me adaptar ao trabalho de AFRF, além da questão salarial: acho que hoje o Poder Executivo está muito defasado em relação aos demais poderes. Hoje um juiz federal ou membro do Ministério Público da União ganha quase três vezes mais do que um AFRF. Se essa situação continuar assim, penso em um dia fazer o curso de Direito e tentar concursos nessa área.

Como vai ser a comemoração?

Bem, agora o que não falta são comemorações... Pretendo comemorar com todos os amigos que fiz ao longo desse tempo de estudo, com meus familiares e com alguns professores que foram legais comigo e que me ajudaram bastante quando precisei.

Namorada, esportes, lazer, famílias e baladas. Você conseguiu combinar tudo isso durante a preparação? Há algo que você tenha parado de fazer por causa da preparação e agora deseje retomar?

Como durante o ano de 2005 eu tive que conciliar o estudo para o AFRF com o trabalho, tive que abrir mão de praticamente todo o resto. Reduzi a minha vida social ao mínimo possível, deixei de lado esportes, lazer, tudo o que não fosse voltado para o estudo. Depois do edital, então, nem se fala. Mas valeu a pena, com certeza. Gostaria de voltar a fazer esportes e a estudar música, coisas que eu fazia antes de iniciar o estudo para concursos.

Quais foram os piores momentos do concurso? E os melhores?

Acho que os piores momentos foram a publicação do edital com muitas matérias novas e o domingo da prova de Matemática Financeira e Estatística. Esses foram os momentos em que eu mais tive medo de ser eliminado do concurso. O melhor momento foi quando eu conferi o gabarito da prova e percebi que tinha feito uma nota suficiente para passar.

 Conte-nos um pouco sobre o fórum Concurseiros (http://concurseiros.13.forumer.com/) e sua participação nele.

O fórum Concurseiros nasceu de uma iniciativa de um grupo de pessoas que estudavam para o concurso da Receita Federal e sentiam falta de um espaço para compartilhar o conhecimento e as informações sobre o concurso com os demais candidatos do país. É claro que já existiam outros fóruns que se propunham a isso, mas nenhum até então era administrado pelos próprios candidatos, e sim por pessoas que só queriam ganhar publicidade e não tinham compromisso com quem realmente queria estudar. Eu gostei muito do fórum, mas nunca participei da sua administração, pois não tinha muito tempo disponível. No entanto, sempre procurei utilizá-lo como espaço de estudo, colocando questões na forma de simulados. Com certeza isso foi muito importante para me manter motivado a estudar durante um período de tempo tão longo, pois o fórum era o meu único contato com outras pessoas que tinham os mesmos objetivos que eu.

Uma frase que resuma o momento pelo qual você está passando.

Por maior que seja um desafio, não há nenhuma barreira que resista à ação da persistência e do tempo.

Depois de ser o primeiro colocado em 2 concursos bastante concorridos, há ainda algum desafio que o motive, algo que você julgue um sonho inalcançável?

Com certeza, apesar de passar num concurso como o de AFRF ser um desafio grande, existem outros desafios muito maiores em outras áreas da vida, que não têm nada a ver com estudo para concursos. Mas acho que isso é algo a ser descoberto com o tempo. Eu gostaria muito de voltar a estudar música, que foi uma atividade que tive de abandonar para poder me dedicar ao concurso de AFRF.

Sabemos que seus pais são servidores públicos. Qual foi o papel deles em sua preparação?

Pelo fato de eles já terem passado por essa fase de estudos, meus pais sempre me deram todo o apoio de que necessitei e sempre foram compreensivos nos momentos em que eu tive que deixar de lado diversos compromissos familiares, viagens e outras coisas que sempre fizemos juntos para poder me dedicar aos estudos. Eles sempre me apoiaram e torceram muito por mim. Acho que isso foi algo muito importante para minha preparação. 

 

 

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